Quem vai contar a história?

Uma das preocupações mais danadas: quem será o narrador dessa história? Em terceira ou primeira pessoa? Ou em segunda?

Primeiro de tudo, há dois dramas. O primeiro é o desaparecimento do filho de 17 anos (ninguém ainda tem nome). O segundo é o desmonte, o esfarelamento dazquela família, daquele casamento, sempre lembrando que em 1977 nem havia a figura jurídica do divórcio: as pessoas se desquitavam, o que significava que não podiam se casar legalmente de novo. O comum até a década de 1970 era que os casamentos que não iam bem das pernas assim continuassem, pois raramente havia separações – muito menos separações propostas pela mulher.

A tentação primeira é instituir um narrador em terceira pessoa, que possa circular livremente entre os dramas dos personagens principais. Mas aprendi com André Vianco que devemos desconfiar das primeiras opções que passem por nossa cabeça. Isso me leva a um narrador em primeira pessoa.

Mas quem?

A mãe? A filha? O pai? O filho já falecido, como se fosse um Brás Cubas envolvido com política estudantil na segunda metade do século XX?

Acho que preciso dar mais carne aos personagens.

Dar nome aos bois.

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